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Diário 08 Quinta-feira – 1º de março de 2012 – Último dia no Haiti
sões artísticas, pinturas e músicas originais, neste país que é o primeiro do mundo a ser independente. Antes de entrar no aeroporto, na rua, observei milhares de pinturas em telas, expostas ao longo de um muro ou penduradas nas árvores. No estacionamento, encontro pequenos camelôs com mais pinturas, mas só tenho dinheiro para comprar pequenas lembranças. A Missão Belém me prometeu trazer um daqueles quadros. A nova entrada do aeroporto é pequena, mas bonita. Aqui, pelo menos, o ar é mais fresco e após os controles rotineiros (tive que tirar até os
experiências (ela trabalhou na Itália, no Chile e agora aqui no Haiti) e me sinto em boa companhia, pois não gosto de viajar sozinho.
- o trabalho da Missão Belém continua e algumas portas se abriram nesta semana. No dia 5 de maio, o Núncio Apostólico fará novos batizados em Wharf Jéremie e no dia 24 de junho será inaugurada a nova paróquia, perto do centro da Missão Belém. Já existe um terreno no qual o pe. Gianpietro tinha mandado construir um muro perimetral. Agora é só levantar as colunas e fazer um pequeno galpão, que poderá conter duas mil pessoas. Nada mal, para início de uma igreja, neste lixeiro ao ar livre. A paróquia será dedicada a Notre Dame de la Paix. O pároco atual da paróquia onde está inserida esta área pastoral, animado pelo exemplo dos jovens brasileiros, prometeu celebrar todos os domingos. Estes batizados deram frutos e sacudiram a Igreja e o povo;
também perante as autoridades públicas. A preocupação do padre é que todos os projetos estrangeiros que tinham um coordenador local, como o da ir. Marcela, religiosa italiana que construiu uma creche, o dos coreanos e outros, suscitaram inveja de alguns do povoado e foram mortos. Haverá problemas também para Martin? É uma grande preocupação. Talvez a solução seja criar uma associação de bairro e colocá-lo como responsável, e não como aliado aos “estrangeiros”, para mostrar ao povo a bondade e a transparência do projeto, já que a inveja está ligada à questão do dinheiro. Após o sismo, todos os “brancos” são vistos como ricos, cheios de dinheiro para ajudar o povo e muitos não sabem distinguir uma ONG (que tem verbas) de uma missão católica (que vive da caridade dos outros e não tem tanto dinheiro como eles acham). Muitos pensam que os coordenadores haitianos, que fazem a mediação com os estrangeiros, recebem algum benefício e enriquecem a custa dos pobres, por isso são eliminados. É uma visão totalmente distorcida da realidade. Um exemplo concreto aconteceu ontem, quando Roberto e o
lém, surpreendido por tantas realidades novas e algumas experiências pessoais que senti na pele, ao vivo e em cores. Mas, em tudo senti o amor de Deus que me acompanha, justamente com os amigos que colocou ao meu lado nesta viagem: pe. Gianpietro, as irmãs da CRB, o Roberto e a Olga, que vão ficar ainda um tempo por aqui, os meninos da Missão Belém, particularmente os recém-chegados brasileiros, que ficarão com este povo, no lixeiro de Wharf Jéremie, Diogo, Junior e Sandra. Bon chans amis! Boa sorte amigos! ……………………………………………………………………………………… Diário 07 Segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
edificante ver o povo unido, as mulheres se organizando em grupo, fazendo cozinha comunitária, colocando à disposição suas casas e seus espaços. Tudo é baseado no voluntariado. Encontramos uma jovem haitiana, jornalista, chamada Exilene, cujo sonho é o de se candidatar na política.
trais, o Palácio do Governo, com a cúpula toda inclinada, prestes a cair, a Igreja do Coração de Jesus, aquela famosa que ganhou a capa da nossa revista de março 2010, mostrando o crucifixo intacto, e, finalmente, o lugar onde morreu a dra. Zilda Arns. Aí, recolhemo-nos em oração profunda, e debaixo de um sol escaldante, no meio das ruínas (aliás, sobrou só um pedacinho de piso), rezamos emocionados e pedimos que surjam outras dras. Zildas aqui no Haiti, e que a Pastoral da Criança possa receber subsídios.
É meio dia. No lugar da igreja do Coração de Jesus, totalmente desmoronada, uma grande tenda aberta, muitas pessoas rezam, acompanhadas por uma música de fundo. Alguém levanta os braços em sinal de súplica e de louvor. Curiosidade: aí perto tem a gruta de Nossa Senhora de Lourdes, com Maria olhando para o lado direito. Na hora do terremoto, ela virou e ficou nesta posição, olhando na direção de uma creche onde todas as crianças morreram. É algo que nos impressiona fortemente.
……………………………………………………………………………………… Diário 06
Domingo, 26 de fevereiro de 2012
letó gravata, outros de camisa branca, e as mães todas elegantes. Não dá para acreditar que eles sejam os mesmos que moram naqueles barracos que conheci na procissão de sexta-feira. Tudo parece transformado. A cerimônia, com dezenas de batizados, tem momentos muito tocantes: as palavras do pe. Gianpietro, que salienta como a Missão Belém é pobre como eles e que moram em barracos como eles, os cantos bem executados e a participação bem comportada e compenetrada.
Dá para ver nos olhos dos pais e das crianças tantos sofrimentos, pois os sorrisos são poucos e as expressões dos rostos, às vezes, de preocupação. Mesmo assim, acreditamos na força da Palavra que, aos poucos, irá transformar este lugar. Muitos destes pais são evangélicos, assim me explica o pe. Gianpietro, mas foram visitados e acompanhados pelos missionários e pediram o batismo para seus filhos. Algo está mudando. Na hora do batismo, eu também administro o sacramento para ajudar o padre, e digo, segurando a fórmula na mão: Muenn batize u, o nu Papà, ac Pitit la, ac Lespri sem an, Amén (Eu te batizo, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, Amém). Nunca, na minha vida, batizei em crioulo e trinta de uma só vez! É realmente um momento de graça!
No final, há biscoitos, balas e sucos para todos. Coisas simples, mas que ajudam a criar amizade, fraternidade, confiança recíproca, pois, no meio desta miséria, existem invejas e ciúmes.
pedir ajudas. Uma criança me avista e grita: O yu, grangou… (Ei, você, tenho fome…). Coloco logo a minha mochila com a máquina fotográfica nas costas e desço rápido pela escada. Quero desaparecer para não escutar mais este grito de dor. ……………………………………………………………………………………… Diário 05
que moram nestas casinhas de meia água, construídas pelo pe. Giuseppe. Conheci um casal da Caritas italiana, que há dois anos está aqui com duas crianças pequenas; ele, Davide, de Torino, e ela, Ana, de Sanremo. Depois mais duas jovens, sempre da Caritas italiana, outra italiana e outra brasileira envolvida numa ONG, um voluntário da Bélgica, o jornalista Marcos Bello, que já tinha conhecido duas irmãs Dominicanas para ajudar num projeto de economia solidária, dois ortopedistas equatorianos e, finalmente, as cinco irmãs do projeto da CRB, que há um ano e meio estão aqui. Mais uma força brasileira a serviço da missão. Três delas estão em Santo Domingo para participar de um encontro promovido pela Clar (Conferência dos Religiosos da América Latina), sobre sustentabilidade, e duas ficaram em casa: ir. Iolanda, catarinense, e ir. Aparecida, mineira, de 79 anos de idade, que me mostra orgulhosa os trabalhos de renda que consegue realizar com as mulheres pobres.
pouco de verdura: antes de tudo pão, depois tomates, coco, bananas, mangas e batata doce. É uma aventura que tem o seu lado divertido, sobretudo na hora de pagar, para entender o preço em criolo, já que a língua francesa é conhecida só por quem a estudou. Como sempre, a pechincha do Roberto ganha sobre todos, e, com pouco dinheiro, conseguimos levar para casa uma boa mercadoria. Retornando, pe. Giuseppe nos convida, muito gentilmente, a jantar com ele em sua casa. Aceitamos de bom grado. A janta é regada com cerveja e sorvete caseiro. Vocês podem imaginar a alegria… Ele nos fala também do dia do terremoto e da dra. Zilda Arns, que estava hospedada justamente em sua casa. Na hora do terremoto, ela estava deixando o prédio da paróquia do Sagrado Coração de Jesus, na cidade, onde tinha feito uma palestra e estava se atrasando a entrar no carro, pois um seminarista tinha-lhe pedido um autógrafo. Aquele minuto de espera na escada foi fatal. Mais uma vez, penso no valor da caridade que nos faz acolher o irmão
ças humanas para virem aqui e levar para frente estes projetos no meio de um povo que, conforme diz pe. Giuseppe, é honesto, trabalhador e bom. ………………………………………………………………………………………
Diário 04
que gostam de nós. No lugar de pão e manteiga, biscoitos, crackers e panettone que sobrou do Natal. Agora tenho clareza sobre o grupo e suas funções: Renata, responsável pelo centro, Marcelo, Vanessa e Paulinho responsáveis pela evangelização nas casas e Cacilda, a coordenadora geral: todos eles estão aqui desde o começo. A esses, associaram-se os novos com quem viajei: Diogo, Junior e Sandrinha, todos de São Paulo. O centro-creche em que estou é dedicado a Markenson, uma criança que foi entregue sem vida nos braços do pe. Gianpietro, na sua primeira visita, e que foi enterrada no lixo, pois por aqui não existe um metro quadrado de relva. Hoje, con-
Estamos a um quarto do projeto e falta ainda muito para terminar, inclusive a igreja, que ainda não existe: o total da construção compreende 5 mil metros quadrados. Futuramente será paróquia, pois o núncio apostólico quer que este povo tenha um lugar onde celebrar e viver a fé. Pe. Gianpietro olha comovido esta construção. Apenas um ano atrás não tinha nada de nada. Os missionários viviam num barraco, sem nenhuma privacidade e sempre rodeados pelas crianças, vozerios, calor e muita gente pedindo alimentação. A palavra mais usada por aqui é grangou, fome. Eu mesmo a ouvi no primeiro dia, após a Missa, indo para a creche. Uma pessoa olhou para mim, homem branco e, portanto, com dinheiro, apontou a barriga com a mão e gritou: grangou.
Eles, então, colocam em comum os propósitos. Capto alguns: confiança, amor, sacrificar-se para o irmão, etc.. Este momento, feito todos os dias, dura 40 minutos e ninguém abre mão. Depois, cada qual no seu trabalho. Um grupo de mulheres fica na capela para ensaiar os cantos, pois domingo terão os primeiros 77 batizados no Wharf Jéremie. Será um grande acontecimento.
giene e de saneamento básico. É uma cena que impressiona profundamente. Já andei bastante pelo Brasil e pelo mundo afora: conheci a Guiné-Bissau, na África, um dos países mais pobres do mundo; estive nas favelas de Calcutá, na Índia; passei por Bangladesh e Camboja, mas nunca vi coisa igual. O que surpreende é ver o povo que, ao passar a via-sacra, sai na rua, reza o Pai-Nosso e a Ave-Maria, mesmo se a maioria é evangélica. Ninguém ri ou acha graça, nem manifesta um sinal de contrariedade. Todo mundo participa, canta; alguns param, passam, mas o grupo continua firme, sempre com a presença de muitas crianças. ………………………………………………………………………………………
Quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012
em francês: “L´union fait le force”, “A união faz força”. É justamente isso que a Igreja, com muito esforço e doação, está fazendo. Por isso, nesta manhã, partimos rumo à nunciatura apostólica do Haiti, para apresentar os novos missionários que chegaram do Brasil e pedir o apoio ao novo projeto em Wharf Jéremie de um possível hospital, cujo projeto Roberto, da Fundação Getúlio Vargas, está fazendo. Estas palavras do canto e a frase da bandeira nos ajudam a irmos com coragem e confiança. E, eis a primeira surpresa.! Bem na subida do morro, um dos pneus do carro onde estamos furou. Imaginem a aventura que é trocar um pneu numa subida… O pe. Gianpietro e ir. Cacilda prosseguem de moto táxi, enquanto tentamos consertar. Cerca de uma hora depois, Roberto e eu pegamos também uma moto táxi e fomos até a nunciatura, que se encontra num lugar encantador, com uma vista fantástica do Haiti e do mar do Caribe. É um pedaço do paraíso
do governo. Outro problema, agora, é que mais de 40% das verbas dos doadores para a alimentação serão cortados, segundo anunciou o presidente, pois considera que já passou a emergência do terremoto e que não estão precisando mais! Outra urgência: a saúde das crianças. Os padres passionistas têm um hospital chamado São Damião, mas um novo hospital infantil seria muito bem-vindo. Por isso, Roberto apresenta ao núncio o projeto detalhado que trouxe do Brasil, já traduzido para o francês.
que o carro que veio para guinchar não deu certo. Deixamos o carro estacionado na rua e fomos direto à Embaixada do Brasil encontrar os outros, para irmos com o Roberto falar com o Ministro, já que a união faz a força. Aproveito para trocar alguns dólares em moeda local e, no supermercado, compro um pão para o lanche, pois já são três horas da tarde e nada de almoço. Chegando na encruzilhada onde nos esperava o pe. Gianpietro, encontro o jovem missionário Marcelo e juntos vamos ao pequeno, mas agradável, Shopping Center, totalmente reconstruído após o terremoto, onde encontramos o sr. George Barau Sassine, sentado com o Roberto, com um belo copo de cerveja gelada e fumando um charuto de marca. Ele nos convida a tomar um lanche e bebida à
sitar Wharf Jéremie, neste domingo, que ainda não conhece, mesmo morando em Porto Príncipe. Ele nos conta que tem uma filha na Bélgica e um filho nos Estados Unidos. É uma boa pessoa, que nos abre uma esperança.
Hoje à noite, dormirei na creche de Wharf Jéremie. Não tem colchão, mas um papelão faz as vezes. É assim que faz este povo da Missão Belém e como fazem os pobres, não por escolha, mas por necessidade. Pelo menos por uma noite vou me solidarizar com eles. Que bela a minha quaresma no Haiti
Diário 02
ções da capital, Porto Príncipe. A tragédia afetou mais de 3 milhões de pessoas e deixou cerca de 250 mil mortos, entre os quais 20 brasileiros, incluindo a médica Zilda Arns, fundadora da Pastoral
mil mortos e mais de 80 mil pessoas infectadas. No Wharf Jéremie, onde se desenvolve a Missão Belém, dizem que a doença já matou mais que o terremoto.
Às 6h30, os trabalhadores da obra de construção do pe. Giuseppe estão chegando. Às 7h, noto uma movimentação ao redor de uma pickup e um falatório alto. Dá a impressão que estejam brigando, mas é o modo típico das pessoas falarem. Estão recebendo o café da manhã antes do trabalho. São cerca de 30 homens. O café consiste em pão com bananas e ovos, ou spaghetti e sardinha. Característico é o tonton, feito com uma fruta tipo fruta-pão, amassada, cozida e regada com molho de pimenta. Para os pobres, é a única refeição do dia. Para os trabalhadores daqui, ao invés, lá pelo meio dia, receberão outra refeição, às vezes com arroz, feijão e salsichas, ou outro tipo de carne, quando tiver.
balho missionário, desde 6 de novembro de 2010, com o projeto de uma creche capaz de abrigar 500 crianças, de 1 até 11 anos, juntamente com as mães, além do projeto de evangelização dividindo este grande bairro-favela em 14 setores, cada qual com sua escolinha, que servirá também como centro catequético. Um projeto ousado, no qual o pe. Gianpietro acredita piamente.
plásticos para vender, tirados do lixo, crianças, carros caindo aos pedaços, homens puxando pesadas carroças, carneiros, galinhas, cachorros e, sobretudo, porcos revolvendo o lixo à procura de algo para se alimentar. O povo vive em “casas”, chamadas kay, feitas de latas (folhas-de-flandres), diante das quais os barracos das nossas favelas parecem “mansões”. Existem kays de 2m2, fechadas com latas enferrujadas, o piso de chão batido, ou melhor, de lixo batido. São autênticos fornos, debaixo deste sol e calor. Não há igrejas onde o povo possa se reunir para celebrar a Missa ou rezar. A igreja paroquial é distante mais de uma hora, e assim, as pessoas acabam frequentando igrejas evangélicas, protestantes ou templos vodu, que se encontram em todo canto. Wharf Jéremie está localizada em cima de um imenso lixão, onde desembocam também oito canais de esgoto, vindos dos bairros da cidade. Neste local, a cólera matou mais que o terremoto.
a Missa de quarta-feira de cinzas, com imposição das cinzas. E aí acontece o milagre! O povo chega aos poucos (contei mais de cem pessoas, na maioria crianóa, naquele espaço estreito). Os missionários da Missão Belém entoam cantos animados, aos quais o povo corresponde com uma voz maravilhosa e uma animação fora do comum. Como eles gostam de rezar e de cantar! As pessoas que passam pelas ruas e vielas param, observam, rezam, cantam, sorriem; alguns ficam, outros vão embora. As crianças me conquistam, definitivamente! É uma Missa maravilhosa, como nunca tinha celebrado, com uma participação que comove a todos. Na hora da imposição das cinzas sobre todos, observo que Roberto, um leigo da Fundação Getúlio Vargas, de São Paulo, que nos acompanha, está chorando. É uma alegria que, mesmo numa pobreza que beira a miséria absoluta, contagia a todos. Dá vontade de ficar por aqui, pois não há padres que possam se ocupar deste
povo e esta é a grande tristeza do pe. Gianpietro. No Brasil, e em São Paulo, há tantos padres! Se se encontrasse pelo menos dois para virem aqui seria uma evangelização ad gentes de primeiro anúncio. Eu vou me candidatar!
saroso, mas com uma alegria imensa no coração: a de ter visto como a fé é capaz de transpor montanhas e é capaz de dar sentido e futuro a este povo amado. ………………………………………………………………………………………
Diário 01
Terça-feira, 21 de fevereiro de 2012
uma imagem de Nª Srª para a paróquia em que está a Missão Belém, no Haiti, a pedido do pároco. Somos oito: sete da Missão Belém, entre os quais quatro novos missionários que lá irão ficar, Sandra, Diogo, Junior e Olga, e eu. Aproveito para uma breve entrevista com alguns deles. Em todos, a alegria de poder doar a vida pela evangelização dos pobres. Alguns têm um passado doloroso, vivido no mundo das drogas, mas agora, após terem encontrado Cristo, tudo mudou.
Estão a caminho do sacerdócio. Já completaram a filosofia e agora vão tentar a teologia no Haiti e o trabalho da missão com os mais pobres. Pergunto se não têm medo. Um deles, para minha grande surpresa, cita uma frase do bem-aventurado padre Clemente Vismara (missionário do Pime que trabalhou por mais de 60 anos em Mianmar, antiga Birmânia), dizendo que “a vida vale a pena ser vivida quando doada e que coração alegre o Céu ajuda”!
tadia; tudo planejado, mas também me convida a estar aberto às novidades do Espírito Santo. Sinto que será algo de muito profundo e importante para mim. Um clima de alegria, fé e confiança está em todos. Conosco viaja também o sociólogo Roberto Marton, da Fundação Getúlio Vargas, que trabalha no setor de projetos e que está visitando o Haiti, pois foi conquistado pela Missão Belém. Às 6h10, pontualmente, o avião deixa a pista de Guarulhos e, em poucos instantes, mergulha nas nuvens que cobrem a cidade, ainda sonolenta, mas animada pelo Carnaval paulista.
Após 6 horas e meia de voo, chegamos ao Panamá: hora local 9h38, ganhamos, assim, 3 horas, pelo fuso horário. Na viagem, conheci os meus vizinhos: um casal brasileiro, rumo ao México, Cancún, cidade turística. Eu lhes explico o motivo da minha viagem rumo ao Haiti e ficam surpreendidos. Duas horas depois, às 14h50, sempre com a COPA Airlines, partimos para o desejado Haiti, num avião Embraer 190, com capacidade para 106 pessoas. Ao entrar no avião, já dá para perceber as feições negras do povo haitiano, e um ar meio sombrio, quase um presságio daquilo que nos espera neste país assolado pelo terremoto de 2010, que matou mais de 200 mil pessoas. Finalmente, duas horas depois, sobrevoando o esplêndido mar do Caribe, entrevemos a ilha de Hispaniola, onde o Haiti ocupa um terço da área, a oeste, e a República Dominicana ocupa dois terços, a leste. O piloto anuncia que daqui a 9 minutos iremos aterrizar e que a temperatura é de 32 graus. Com o pe. Gianpietro, estou escutando uma música de Maria, após a reza do terço. Parece-me uma feliz coincidência ver, pela primeira vez, o querido Haiti sob a proteção de Maria.
Após o controle dos passaportes e a chegada das malas, todas em perfeita ordem (são mais de cinco carrinhos cheios com as malas da Missão Belém), e após ter encontrado os missionários que nos esperavam, fortemente comovidos, vamos, em dois carros, ao seminário dos escalabrinianos, onde o pe. Giuseppe, um missionário italiano há muitos anos no Haiti, nos espera. Ele nos preparou uma casinha acolhedora, como ponto de referência para a nossa estadia. No trajeto do aeroporto até o seminário, a realidade dura e crua do povo haitiano: lixo na rua, estradas esburacadas, trânsito caótico, casas sinistradas e em recuperação, barracas e tendas azuis trazidas pela ONU na ocasião do terremoto, ainda habitação para muitas pessoas, povo na rua, mercadinhos e vendas
em qualquer lugar e as típicas conduções, tipo Van, todas coloridas e alegres. Apesar do sofrimento causado pela pobreza e pelo terremoto, percebe-se um povo digno, que caminha e luta de cabeça erguida. Quando aceno para saudar, logo me respondem com um belo sorriso. Na chegada ao seminário, conheço este extraordinário padre que está construindo casinha para amparar irmãs, padres e voluntários que aqui querem ajudar, além de uma pequena fábrica de tijolos para ajudar o povo a reerguer as suas casas. O que não faz a criatividade movida pela caridade! |
Venha participar conosco do nosso encontro vocacional que acontecerá
do dia 27 de abril, ao dia 1 º de Maio,em Jarinú a partir das 20h , Jesus te espera para viver nesses dias:
- Muita oração
- Santa Missa
- Adoração
- Partilhas
- Dança e teatro
Você não pode perder essa oportunidade e ouvir a voz do Senhor
Venha fazer seu projeto de vida com Deus!!!
maiores informações ligar para: (11) 2694-2746 falar com a Cícera.
Venha participar da missão de rua que acontecerá do dia 1 ao dia 8 de janeiro.
Nos encontraremos dia 1º às 18 horas no “barraco”, na rua nelson cruz, nº10 – belenzinho
Maiores informações ligar para: (11) 2694-2746
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O menino Jesus na cólera : primeiros passos da Missão Belém no Haití
5 nossos Missionários, chegaram no Haiti no dia 7 de novembro e se depararam com a chocante realidade da terrível doença da cólera, cujo foco, em Port au Prince, é exatamente a nossa Missão de Waf Jeremie. Como vocês sabem, 150.000 pobres vivem em cima de um lixão, sem um banheiro, sem higiene, sem água, sem energia elétri (more…)